Delegado esclarece detalhes do Caso Dalva ao Deputado Ricardo Tripoli


Depois de ouvir e indiciar Dalva Lima da Silva, no inquérito que apura a morte de 33 gatos e 4 cães, o Delegado José Celso Damasceno Junior informou ao Deputado Federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP) sexta-feira, 27 de janeiro, que está aguardando os laudos toxicológicos dos animais e mais alguns depoimentos para poder relatar e encaminhar ao Poder Judiciário. Revelou ainda que o caso vem sendo acompanhado pela promotora Vânia Maria Tuglio, do GECAP (Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo). O deputado Tripoli (PSDB-SP) solicitou detalhes do andamento do inquérito e o delegado recebeu a coordenadora jurídica de fauna do parlamentar, Dra. Viviane Cabral, na 1ª Delegacia do Meio Ambiente localizada na Avenida São João, na capital. O Dr. Damasceno esclareceu detalhes dos depoimentos e os procedimentos já adotados, inclusive os laudos das necropsias, realizados pela USP, que concluíram que nenhuma das mortes foi natural, todas provocadas por perfurações com agulha de grosso calibre, ocasionadas hemotórax. A agulha provavelmente era usada para injetar medicamentos. Quais as drogas, isso ainda está em análise. Recorde-se que o Caso Dalva chocou a sociedade brasileira no início de janeiro, quando vários cadáveres foram encontrados em sacos de lixo, envoltos em jornal, descartados por esta senhora, na calçada de sua casa, em uma rua da Vila Mariana, e descobertos por um detetive contratado por protetores de animais. E o deputado Tripoli intercedeu, obtendo a gratuidade nas perícias feitas pela USP e mantém sua assessoria jurídica acompanhando o andamento do inquérito.

DALVA CONFESSA MORTES
Dalva Lima da Silva, ouvida pelo delegado Damasceno, não negou ter matado os animais, mas afirmou que só o fez para aliviar o sofrimento de alguns deles e que os procedimentos foram ensinados a ela anos atrás por um medico veterinário, amigo de seu falecido companheiro. Ela inicia seu depoimento afirmando que não era protetora de animais. O relato é bastante impreciso e deixa revelar um comportamento ardiloso e premeditado, com Dalva declinando prenomes de pessoas e nomes de cidades, sem qualquer referência concreta. Ela afirmou que não possui um sítio e jamais alegou que levaria os animais para essa propriedade.Ela confessou que matava há um ano, em razão do alto custo do tratamento veterinário e porque a procura por adoção teria diminuído dificultando a guarda dos animais.
Além da acusada, já foram ouvidas no inquérito oito testemunhas. Entre as informações relevantes, consta a cobrança por Dalva de até 50 reais por animal recebido. As testemunhas frisaram que as importâncias somente eram aceitas em dinheiro vivo. Dalva impunha a condição de jamais devolver qualquer animal que entrasse em sua casa.

ANIMAIS ENTRAVAM DIARIAMENTE
Uma das mais importantes testemunhas é uma ex-funcionária de Dalva, que a conheceu em 1995, 16 anos atrás. A ex-funcionária relatou a existência de quartos fechados na parte inferior da casa onde era proibida de entrar. Ela questionava para a patroa onde estavam os animais recebidos quase diariamente e a resposta era que a remoção e doações eram feitas no período noturno. Nas poucas vezes em que a entrada da empregada em um dos quartos foi liberada, não havia animais no local, mas ela observou sangue nas paredes, fezes, alem de seringas, embalagens de medicamentos e caixas de transporte. O delegado Damasceno Junior mostra-se bastante empenhado com o caso e sensibilizado com as mortes. Só lamenta a brandura da lei dos crimes ambientais (Lei n. 9.605/98) e o fato do art. 32 dessa lei não possibilitar punição mais severa para a suposta criminosa e, tampouco, de poder mantê-la presa durante as investigações já que a lei não lhe faculta essa possibilidade. A indignação do delegado Damasceno fortalece a necessidade de aprovação do projeto de lei 2833/2011, de autoria do deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que tramita no Congresso Nacional desde o final de 2011. Essa propositura, em razão das penas previstas, garante a possibilidade de prisão daqueles que cometem crimes contra animais.

O Deputado Tripoli intercedeu


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